Olá Nelson:
É um prazer que posso compartilhar uma experiência, a qual me alertou em pensar na problemática de crianças que possuem deficiência e que estejam abrigadas. Este sujeito, quando o conheci tinha 12 anos. Agora tem 15 e encontro com ele em lugares onde a escola proporciona.
O sujeito é um menino. Tem 1 irmão menor e duas irmãs. Ele, mais uma irmã e o irmão são surdos. O único que esta no abrigo é ele. Os outros três estão na casa do avô em condições precárias. Ele, o irmão e a irmã estudam na mesma escola e no mesmo turno.
Este sujeito, que nomearei como Manuel, conhece sua mãe, vamos dizer fisicamente, mas nunca conviveu com ela. É de praxe a mãe ter os filhos e deixa-los na casa do pai. Tanto que uma das irmãs deve estar agora com 1 ano.
Bom o que me chamou atenção neste caso é que Manuel não lida bem com carinho. Quando eu ao interagir com ele era “dura” ele realizava e participava do que era pedido. Há 2 anos, Manuel começou a utilizar a escola para fugir do abrigo, ou seja, não ia à escola nem ficava no abrigo. Quando procurado, estava sempre nas imediações da casa do avô.
Bom analisando a vida deste sujeito percebe-se:
*A duvida porque só ele não pode ficar na casa do avô?
*No abrigo, não havia ninguém que pudesse se comunicar fluentemente com este sujeito
*Alguns objetos e roupas dado pelos professores, sumiam de seu armário.
*Manuel, em alguns momentos narrava à psicóloga, que no abrigo alguns meninos forçavam/obrigavam ele a fazer as tarefas dos mesmos,
*Os monitores compareciam na escola quando solicitados, sempre era um monitor diferente e quando questionado a troca, não sabiam porque, mas ao decorrer da conversa percebia-se a falta de conhecimento da vida do aluno
* Por nossa solicitação, Manuel começou a visitar a família no fim de semana de 15 em 15 dias
*Na escola evitava os irmãos e em alguns momentos debochava dos mesmos.
Bom, pude observar que o Manuel que conheci aos 12 anos e depois quando perdi o contato 2 anos após, estava revoltado e procurava sempre “fugir”, de sua rotina e procurar o que se chama “más companhias”. Quando o sujeito faltava a escola e depois de 2 ou 3 dias retornava com algum objeto novo, já sabíamos que ele havia procurado seus supostos amigos e realizado alguma coisa ilegal, a qual era proibido falar.
Questionava-me o que poderia fazer para ajuda-lo, mas as conversas realizadas, sempre terminavam no mesmo assunto: como e porque ele não podia ficar com o avô?Depois de um tempo utilizava isso para terminar qualquer assunto, visto que percebia o quanto me incomodava o fato de ele ser o único à estar separado da família.
Agora não sei com esta, mas quando o encontro quando tenta conversar esta confuso sua comunicação, não pensa o futuro e ainda se retrai ao receber um beijo ou um abraço. Não sinaliza sobre a família e sinceramente para mim é muito triste ve-lo assim, visto que era um sujeito capaz, mas talvez mal orientado.
Bom, Nelson penso que era isso que tinha para compartilhar. Sei que o relato esta muito superficial e que talvez não atinja o objetivo do encontro, mas me faltam muitos dados e estou impossibilitada por conseguir maiores informações “concretas”, visto que não possuo mais vinculo com a instituição pedagógica e nem com a instituição que o abriga. Espero sinceramente que ele encontre orientação e ajuda para uma vida melhor, mas sinceramente penso que não conseguirá.
Abraços Denize

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