Porto Alegre, 14 de setembro de 2011.
Querida Carolina Cormelato Sperb, venho por meio desta carta, contar um relato sobre um menino surdo, que viveu em uma casa isolado de tudo e todos, faleceu em agosto de 95.
M. era uma criança linda, como todos nasceu saudável, mas aos três meses teve uma Paralisia Infantil, onde seus nervos ficaram atrofiado, o rosto deformado e sem escutar, surdo. A Família ficou chocada com o ocorrido, pois não queriam acreditar no que tinha acontecido com o M., era um bebê lindo e saudável, de repente por causa da vacina, aconteceu um desastre.
Sua mãe não admitia seu filho naquele estado, parou de amamentar deixou atirado (jogado) num quarto, como se fosse um vira lata qualquer, uma criança que nem existisse. Quando íamos visitar a minha tia, quase nunca enxergava o M., ele estava sempre dentro das quatro paredes, só ouvia gritos e choros, escutava um pouco e saía correndo de medo achando ser um monstro.
Na hora das refeições o M. nunca aparecia, ficava só observando aquela porta, para ver se ela saíra de lá, mas nada. Com o passar do tempo, ao visitar a tia era normal a rotina do M. No ano de 1995, o M. pegou uma forte gripe que resultou em uma pneumonia, não resistiu e veio a falecer em agosto.
Ao visitar o M. no hospital, fiquei com pouco de receio (medo), só havia visto quando era bebê, ao chegar perto chorei muito, o abracei, fazia carinho, parecia que nem estava ali, pois só dormia, sua mãe tão desesperada nem chegava perto, acho que era de remorso, por que ninguém o conhecia.
Quando recebemos a noticia de sua morte, fiquei bem desesperada, chateada, por que ele não poderia ter morrido daquela maneira, sem conhecer as pessoas, o mundo ao seu redor e saber que podia ser amado, ser alguém do jeito dele conquistando o seu espaço.
Hoje vindo fazer parte deste curso, veio várias cenas de recordação da minha infância, de como poderia ter mudado alguma parte da vida do M., naquela casa isolado, trancado a quatro paredes, sem carinho, amor, integração com todos , natureza,.. , sei o quanto ele sofreu, sem conseguir se comunicar, que vida dura, mas com força de vontade de viver, pois veio a falecer perto de seus 18 anos.
Por isso venho buscar no curso conhecimentos, vivências, experiências, para melhor conseguir desenvolver e fazer um trabalho de qualidade, fazendo integração, inclusão, pois sei quanto é difícil quando não se tem que de apoio, carinho e saiba compreender o mundo deles (surdo), que é um mundo maravilhoso, uma comunidade amiga, unida, conquistando a cada dia seu espaço na “Comunidade e Mundo”.
Espero que meu relato desta carta tenha contribuído,... Charlise Duarte Garcia, Professora de Educação Infantil.

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