Para lembrar de seu nome, precisei olhar naquele quadro com nossos nomes, funções, etc. Pelo que vi, foi perto de você que sentei na última aula e conversamos um pouco sobre nossa vivência na área... Espero não estar enganada!
Sobre a carta da hoje, foi um desafio maior escrevê-la, pois não conheço nem li sobre algum surdo que viveu em uma instituição. Decidi começar a procurar, perguntando a alguns amigos e colegas do Letras Libras que conhecem mais surdos e estão na área a mais tempo do que eu.
Primeiro liguei para um grande amigo e colega que me disse que não conhecia ninguém também, então ele me indicou uma querida colega nossa do Letras Libras que é filha de pais surdos e frequenta bastante a Sociedade de Surdos de POA. Imediatamente, liguei para ela (afinal, faltava uma semana para entregar o trabalho). Ela me relatou que conhecia uma surda, amiga de seus pais que frequentou o Frei Pacífico na época que era internato. Então, ela me deu o nome da filha deles e procurei ela no Facebook. No domingo à tarde, mandei uma mensagem para ela, já com as perguntas e meu e-mail para economizar tempo. No mesmo domingo à noite ela, prontamente, me mandou o e-mail com as respostas! Que alívio! Consegui! Ela foi muito legal, agora tenho mais uma amiga, não só no Face, mas espero que na vida também...
Desta forma, resolvi colocar abaixo as perguntas e respostas da senhora, traduzidas pela sua filha Camila:
1 - Qual seu nome? Posso falar seu nome no meu trabalho?
Zeli Maria Letsch. Pode falar no trabalho.2 - Quantos anos você tem?
49 anos.3 - Você viveu e estudou no Frei Pacífico em POA? Em que ano? Durante quanto tempo?
Sim. Comecei em 1973, dos 11 anos aos 18 anos (1ª a 5ª série).4 - Por que você foi para lá? Por que naquela época os surdos viviam nesta instituição?Vim estudar em Porto Alegre, pois era do interior do RS onde não tinha escolas para surdos. No meu caso vivi na instituição pois onde morava era muito longe de Porto Alegre.
5 - Como era organizado? Como era a rotina?
Pela manhã tinha aula depois almoçávamos e a tarde tinha aulas de costura, pintura, modelagem de argila etc. No final da tarde éramos liberadas para tomar banho, jantar, assistir tv e às 20:30 íamos dormir.6 - Foi uma experiência positiva ou negativa? Por quê? Conte um pouco como foi esta experiência.
Positiva, pois tinha contato com outros surdos, aprendi a conversar, além de ter alguma base de educação.7 - Quais os acontecimentos mais marcantes?
O acidente que tive com 17 anos que foi na frente da instituição onde fiquei na UTI por 15 dias, teve uma colega que faleceu e eu fui a 2ª aluna em estado mais grave. E também conheci meu marido numa festa que teve na instituição.8 - Você ainda encontra outros surdos que viveram lá com você? Quais histórias vocês lembram?
Sim, tenho muitas amigas hoje que estudaram na instituição. Tem em Porto Alegre a SSRS (Sociedade dos Surdos do RS) onde nos encontramos. E ainda somos convidadas para os eventos que tem na instituição (almoço, comemoração...)9 - No que a experiência nesta instituição influenciou em sua vida?
Influenciou muito, pois se tivesse ficado no interior acredito que teria ficado sem ensino, não teria conhecido meu marido, que conheci na instituição, não teria contato com outros surdos.10 - Como é sua vida atualmente? O que você faz?
Hoje sou casada, tenho 2 filhos, trabalho como auxiliar de serviços gerais numa empresa de transporte e logística, não terminei os estudos, tenho muitos amigos surdos e ouvintes.Então é isso... Achei muito boa esta história que acabou com final feliz e romântico!
Forte abraço e ótima semana!Ingrid Ertel Stürmer
14/09/11.

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