Olá Elisa!
Esta segunda carta foi um pouco mais complicada de escrever, uma vez que não tenho muito conhecimento sobre a questão do surdo que vive em abrigos. Sei que a escola em que trabalho possui alguns alunos nesta situação, mas não tenho muitas informações. O que posso fazer então é ter algumas suposições sobre a idéia.
Fiquei pensando em como seria a comunicação dessas crianças e adolescentes com os demais ouvintes do espaço em que vivem, acredito que situações de isolamento, de não compreender o que se passa podem acontecer. No entanto situações bastante semelhantes acontecem também em algumas casas de alunos da escola. Situações de isolamento, de não compreender o porquê de determinadas situações.
Talvez o que possa pesar é que ao dividir o espaço com muito mais crianças, esta situação se agrave, mas não sei ao certo.Vejo na minha escola que os responsáveis pelas crianças nos abrigos são presentes na escola, participam das reuniões, buscam as avaliações. Coisas que muitos pais não conseguem fazer.
Em contrapartida, imagino que seja complicado para uma criança que só se comunica de maneira mais efetiva na escola, compreender o porquê de estar morando neste espaço, a ausência da família, principalmente pelo fato de a escola de maneira geral trabalhar bastante este conceito de família, de pai, mãe, e estar sempre buscando essas presenças na escola.
Acredito que mais uma vez cabe a escola certos esclarecimentos, mas para isso é necessário que haja uma articulação entre escola e abrigo, e não sei se esta articulação ocorre sempre.
Desculpa não conseguir dizer muito sobre o assunto, mas realmente meu conhecimento sobre isto ainda é bastante superficial.
Abraços
Juliana Pokorski

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