segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Maria Cristina Simioni - Cumprindo as Leis

 A instituição escolar como uma construção social é legitimadora de
saberes e certificadora de resultados. Poderia esta criação não
refletir essa mesma sociedade e suas relações? Acredito que não, tudo
que se passa no campo social está na escola: a solidariedade e a
cooperação, e também os preconceitos e as discriminações.
A padronização do normal e do anormal também faz parte desse processo
de classificação e exclusão construído pelas pessoas em suas relações.
Então o educando que foge ao padrão: o que não enxerga, o que não
ouve, o que não anda, o que aprende em diferentes tempos, por exemplo,
não encontra lugar nesse espaço, pois ele não faz parte da norma.
Por alguns anos ignorei os alunos fora do padrão, tínhamos os que
passavam e os que "rodavam", os "anormais" eram das escolas especiais.
Foi a partir da inclusão dos alunos especiais maiores de 21 anos na
Educação de Jovens e Adultos (EJA), que esses educandos se tornaram
visíveis para mim. A partir dos 21 anos eles eram obrigados a sair das
escolas especiais, mesmo que não tivessem alfabetizados, restando-lhes
como opção a EJA.
Já os educandos surdos conquistaram espaço na EJA através de muita
luta nas reuniões do Orçamento Participativo. Organizados em turmas de
surdos continuam lutando diariamente para serem vistos dentro de suas
especificidades entre as demais turmas de ouvintes.
Mesmos tendo como princípios a democratização de acesso e o respeito
as diferenças vivemos um desafio constante para organizar atividades
que atendam as necessidades dos cegos, dos surdos, dos cadeirantes, ou
seja, dos que fogem do padrão. O uso de LIBRAS fica quase restrito aos
professores que trabalham com os surdos.
Uma escola publica para os surdos, com professores surdos e com um
currículo pensado para esses educandos é uma reivindicação e um
direito da comunidade surda. Isto por si só deveria bastar como
justificativa, mas outras razões podem ser citadas: garantir a
socialização para os sujeitos que vem de famílias ouvintes e que
resistem ou tem dificuldade em aprender LIBRAS; assegurar uma educação
bilíngüe aonde a LIBRAS tenha realmente o status de primeira Língua em
todas as etapas da aprendizagem, oportunizando condições iguais de
desenvolvimento para a criança, o jovem e o adulto surdo; produzir
bens culturais (peças de teatros, contos, jogos, etc.), aonde o surdo
"apareça" como um sujeito capaz de contar a sua própria história;
cumprir as Leis 10.098 (19/12/2.000) e 10.436 (24/3/2002).
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